Sunday, December 3, 2017
Um dia que marcou minha história
Um dia que marcou minha história
Por Carlos Chagas
De 2005 a 2008 eu procurei estudar teologia. E esta faculdade que escolhi era reconhecida pelo MEC e por ser assim era interdenominacional, ou seja, n�o defendia placas de igrejas, mas n�o se desvencilhava da teologia crist�. Logo, estud�vamos todas as teologias poss�veis e relevantes para o crescimento teol�gico.
Lembro-me que certa vez tivemos um evento chamado de "Semana de Reflex�o Teol�gica", onde tivemos contato com minorias crist�s que traziam pr�ticas lit�rgicas que muitos n�o t�m acesso f�cil. Foi ent�o que escolhi entender as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), uma ramifica��o cat�lica onde se inverte momentaneamente a pir�mide do poder da igreja cat�lica, onde o povo, que � a base da pir�mide cat�lica, passa a ser o topo. Assim, no decorrer da missa, a aten��o especial daquele singelo momento passa a ser o povo e seu Deus.
Na ocasi�o, quem explicava para n�s a din�mica das CEBs era o Frei Gilvander. Lembro-me que em dado momento ele passou um v�deo mostrando que a missa era uma esp�cie de festa onde se tinha a ministra��o da palavra junto com louvores e depois era os "comes e bebes", onde era servido comidas t�picas como p�o-de-queijo, suco, caf�, bolo, etc. Mas em dado momento a m�sica cessou e o padre pediu para que todos lembrassem da morte e ressurrei��o de Cristo. Neste momento o alimento s�lido que est� na sua m�o deveria ser levantado e, ap�s dar gra�as, eles comiam, independente de ser p�o, bolo ou biscoito. Assim tamb�m era feito com o l�quido que se tomava no evento. Frei Gilvander salientou que Jesus Cristo usou p�o sem fermento e vinho tinto porque eram comidas t�picas dos judeus da �poca e que se fossem outros povovs ele usaria outro tipo de alimento j� que n�o � o alimento em si que faz a diferen�a e sim a mem�ria do evento, que � a morte salv�fica de Cristo.

Fiquei maravilhado com a ministra��o e fui embora para casa pensando naquelas palestras. Dado dia encontrei com um pastor amigo meu que come�ou a falar de B�blia. Como sempre acontece, pastor e te�logos n�o se "d�o t�o bem", principalmente quando o te�logo n�o � da linha tradicional de compreens�o teol�gica da B�blia, que � o meu caso. Em dado momento de nossa conversa ele me perguntou o que eu estava estudando na faculdade. Percebendo a mal�cia de sua pergunta contei sobre o que aprendi com as CEBs. e como elas s�o interessantes uma vez que coloca o povo em plena participa��o da Ceia do Senhor, coisa que n�o acontece nas missas tradicionais na Igreja Cat�lica. Foi o estopim da crise em nossa conversa. Este pastor se sentiu ofendido em sua f� e disse: "Carlos, voc� est� de brincadeira comigo... como pode isso! Realizar uma Ceia com bolo e caf�... inaceit�vel". Expliquei para ele que o fato de se usar outro tipo de alimento n�o desmerecia o evento, que � relembrar a obra de Cristo. Ele concluiu: "Irm�o, me desculpe, mas para mim, desviar um pouquinho que seja da B�blia, o m�nimo que seja, � heresia...". Interrompi ele no ato para dizer: "Pois � pastor, ent�o estamos todos no inferno a mais de 200 anos... porque n�s n�o ceiamos com p�o SEM fermento e VINHO tinto, e sim com p�o comum e suco de uva". Ele se calou.
Isso aconteceu a quase uma d�cada. Raramente cito isso. Mas achei interessante escrever isso aqui para que todos refletissem em sua postura e pensamento. Ser� que o nosso foco � de fato no objetivo que Jesus quis mostrar ou nos meros elementos que Ele usou? Ser� que o nosso radicalismo faz com que vivamos a mensagem B�blica ou s� nos faz sermos crist�os superficiais? Ser� que trocar�amos nossas cren�as crist�s por Jesus Cristo? O que vale mais: Jesus Cristo ou a liturgia?
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